sábado, 30 de outubro de 2010

Do It

Composição: Lenine/Ivan Santos

Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...

Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô!, Hum!...

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...

Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô! Hum!...(2x)

Naturalmente

Ter nada, nada para Ter
Ter cada estrada para andar
Andar em cada para ser
Ter cada é nada para dar
Ser gargalhada para rir
Ser a palavra para dar
Ser serenata para ouvir
Se ser é nada para amar
Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima para dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus

Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima para dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus

Viva Belém do Tucupi
Belém, Belém do Tacacá
Belém, Belém da Açaí
Belém, Belém do Grão Pará
Viva Belém do Tucupi
Tum Tum Batuntum Cacacá
Belém, Belém do Açaí
Belém... a luar
Viva Belém do Tucupi
Tum Tum Batuntum Cacacá
Belém, Belém do Açai
Belém... a luar
Viva Belém do Tucupi
Tum Tum Batuntum Cacacá
Belém, Belém do Açaí
Belém... a luar
Viva Belém do Buriti
Belém, Tum Tum Cacacá
Belém, Belém ...Grão Pará


Mentiras

Composição: Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Sérgio Britto

Querem me ensinar, querem me julgar pelo que eu fiz.
Querem me julgar, querem me ensinar como se diz
Mentiras!
Querem me salvar, querem me curar do que eu não sofro.
Querem me curar, querem me salvar, mas eu só ouço
Mentiras!
Eu não posso viver comigo, eu não posso fugir de mim.
Eu não quero que gritem comigo, eu não quero que riam de mim.
Eu não quero que falem, eu não quero que digam
Mentiras!
Querem me curar do que eu não sofro,
Querem me julgar pelo que eu fiz.
Querem me salvar, mas eu só ouço,
Querem me ensinar como se fiz
Mentiras!

Prá Dizer Adeus

Composição: Tony Belotto

Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

Às vezes fico assim pensando
Essa distância é tão ruim
Porque você não vem prá mim?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis...
Não dá prá imaginar quando

É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais

É cedo ou tarde demais...

Gostava Tanto de Você

Composição: Édson Trindade

Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou em minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!

Ela Partiu

Ela partiu
Partiu e nunca mais voltou
Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou
Se souberem onde ela está
Digam-me e vou lá buscá-la
Pelo menos telefone em seu nome
Me dê uma dica, uma pista, insista
Ei! e nunca mais voltou
Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou
Ela partiu, partiu
E nunca mais voltou
Se eu soubesse onde ela foi iria atrás
Mas não sei mais nem direção
Várias noites que eu não durmo
Um segundo
Estou cansado
Magoado exausto
E nunca mais voltou

Azul da Cor do Mar

Composição: Tim Maia

Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito prá contar
Dizer que aprendi...

E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce prá sofrer
Enquanto o outro ri..

Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver...

Ver na vida algum motivo
Prá sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar...

Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver...

Ver na vida algum motivo
Prá sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar...

Vestido Estampado

Composição: Ana Carolina

Acabou, agora tá tudo acabado
Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti

Não quero te ver
Dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos
Se você não me escuta, eu não vou te chamar

O amor que eu dei não foi o mesmo que eu vi acabar

O amor só mudou de cor, agora já tá desbotado
Corra, lá vem a tristeza atirando pra todos os lados

Pegue o vestido estampado
Guarde pra um Carnaval
Guarde que eu nunca te quis mal
Até o feriado, quarta-feira de cinzas e tá tudo acabado

São Gonçalo

Composição: Seu Jorge

Pretinha
Faço tudo pelo nosso amor
Faço tudo pelo bem de nosso bem (meu bem)
A saudade é minha dor
Que anda arrasando com meu coração
Não Duvide que um dia
Eu te darei o céu
Meu amor junto com um anel
Pra gente se casar
No cartório ou na igreja
Se você quiser
Se não quiser, tudo bem (meu bem)
Mas tente compreender
Morando em São Gonçalo você sabe como é
Hoje a tarde a ponte engarrafou
E eu fiquei a pé
Tentei ligar pra você
O orelhão da minha rua
Estava escangalhado
Meu cartão tava zerado
Mas você crê se quiser...

Cotidiano

Composição: Chico Buarque

Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dãothu!...(2x)

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
Essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta prá eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo Dia! Todo Dia!

Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dãothi!
Dãothi!...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
Essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta prá eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...(2x)

Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dandão!
Dãothi! Dãothu!...(2x)

Incertezas

Você diz sempre
Que nunca erra
Que é o perfeito,e não sei o quê
Fazendo poses
De Super-Homem
Dizendo asneiras pra aparecer

Achando certo, faz tudo errado
Nunca é o culpado pelo o que aprontou
Inventa histórias, conta mentiras
Mas não assume que você errou

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

De sua boca, sai sempre um pouco a mais
Que a vida foi capaz de inventar
Diz que é o esperto
Mas é um otário
Que ninguém consegue suportar

Diz que conquista qualquer garota
Nenhuma delas pode resistir
Mas só em sonhos, ou fantasias
As tais meninas você consegue possuir...

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

Não precisa fingir ser melhor do que ninguém
Quando é que vai aprender?
Basta ser apenas o que você é
Basta só você crescer

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

Incertezas você tem
Como todo mundo tem

Onde Menos Se Espera

Composição: gessinger

tente outra coisa
tente ver as coisas
de um modo diferente
tente outra cor
e se não for amor
outro tipo de gente
tente ver além
do que você já tem
à sua frente

tente um mundo novo
uma nova era
tudo pode estar te esperando
tudo pode estar
onde menos se espera

tente a todo instante
só o que manda o instinto
tente refrigerante
vinho branco e vinho tinto
tente ser Brasil
de um povo Heróico
um brado retumbante
tente o mundo todo

tente todo mundo
ninguém vai ficar te esperando
tudo pode estar
onde menos se espera

tente outra coisa
tente ver as coisas
de um modo diferente
por cima do muro
por baixo dos panos
tente outra vez
o que você já fez
de um modo diferente

tente um mundo novo
uma nova era
tudo pode mudar
tudo pode estar
onde menos se espera

tudo pode mudar
tudo pode estar
onde menos se espera

tudo pode mudar
tudo pode pintar
de quem menos se espera

numa noite de inverno
tarde de outono
ou manhã de primavera
tudo virar
pode ser verão

quando menos se espera...

Como eu quero

Diz prá eu ficar muda
Faz cara de mistério
Tira essa bermuda
Que eu quero você sério...

Tramas do sucesso
Mundo particular
Solos de guitarra
Não vão me conquistar...

Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uh! eu quero você
Como eu quero!...(x2)

O que você precisa
É de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho
Em arte final...

Agora não tem jeito
Cê tá numa cilada
Cada um por si
Você por mim e mais nada...

Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uh! eu quero você
Como eu quero!...

Longe do meu domínio
Cê vai de mal a pior
Vem que eu te ensino
Como ser bem melhor...

Longe do meu domínio
Cê vai de mal a pior
Vem que eu te ensino
Como ser bem melhor...
(Bem melhor!)...

Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uh! eu quero você
Como eu quero!...(2x)

Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uuuuuuuuuuhhh!
Uuuuuuuuuuhhh!...

Mutante

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio de buginganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim que sou romântica!

Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!

Kiss baby, kiss me baby

Pena que você não me quis
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim!
Romântica assim!

Olhos Azuis

Composição: Sérgio Sá

Hei, olhos azuis
Que dividem meu céu em dois
Apague essa luz
Deixa qualquer papo pra depois
Me adoça em teu sorriso
Me derrete em tua voz
É só disso que eu preciso
No eco de estarmos a sós

Hei, olhos azuis
Que transformam meu sol em dois
Apague essa luz
Deixa todo o medo pra depois
Me recolhe no teu peito
Me derrama em tua paz
Não me olhe deste jeito
Sou capaz de não resistir mais

E dançar na canção da ternura e do desejo
Me queimar na labareda ardente da paixão
No espelho azul do teu olhar é que eu me vejo
Bem mais forte e feliz, bem mais dona de mim

E dançar na canção da ternura e do desejo
Me queimar na labareda ardente da paixão
No espelho azul do teu olhar é que eu me vejo
Bem mais forte e feliz, bem mais dona de mim.

Destino

Composição: Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle

Sempre viajo numa canção
Numa emoção
não sei qual o meu destino
Pede passagem meu coração
Sem direção
e assim vou no trem da ilusão
Que já não quer
mais os trilhos
porque quer voar
e sabe que pra se achar
é preciso sonhar
Será que o meu destino
é te amar
ou será viajar
nas palavras de amor
que eu cantar
Será que minha vida
é você
ou que pra me encontrar
tenho que te perder
Nesse horizonte
blues sobre blues
Tudo seduz
nem sei qual o meu destino
Pede passagem meu coração
outra paixão
e assim dividida que eu vou
entre viver pra você
Vou te deixar pra viver
porque pro corpo gostar
basta agente sonhar
Será que o meu destino
é te amar
ou será viajar
nas palavras de amor
que eu cantar
Será que minha vida
é você
ou que pra me encontrar
tenho que te perder

Nesse horizonte
blues sobre blues
Tudo seduz
nem sei qual o meu destino
Pede passagem meu coração
outra paixão
e assim dividida que eu vou
entre viver pra você
ou te deixar pra viver
porque pro corpo gostar
basta agente sonhar
Será que o meu destino
é te amar
ou será viajar
nas palavras de amor
que eu cantar
Será que minha vida
é você
ou que pra me encontrar
tenho que te perder
Será que o meu destino
é te amar
ou será viajar
nas palavras de amor
que eu cantar
Será que minha vida
é você
ou que pra me encontrar
tenho que te perder

O Nome Disso

Composição: Edgard Scandurra / Arnaldo Antunes

o nome disso é mundo
o nome disso é terra
o nome disso é globo
o nome disso é esfera
o nome disso é azul
o nome disso é bola
o nome disso é hemisfério

o nome disso é planeta
o nome disso é lugar
o nome disso é imagem
o nome disso é arábia saudita
o nome disso é austrália
o nome disso é brasil

como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
o nome disso é rotação
o nome disso é movimento
o nome disso é representação

the word for what this is is name
the name of this é isso
o nome disso is place
el nombre of name space
el nombre do nome esfera
o nome disso é idéia

o nome disso é chão
o nome disso é aldeia
o nome disso é isso
o nome disso é aqui
o nome disso é sudão
o nome disso é áfrica
o nome disso é continente

o nome disso é mundo
o nome disso é tudo
o nome disso é velocidade
o nome disso é itália
o nome disso é equador
o nome disso é coisa
o nome disso é objeto

como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?
como é que chama o nome disso?

O Pulso

O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...

Peste bubônica
Câncer, pneumonia
Raiva, rubéola
Tuberculose e anemia
Rancor, cisticircose
Caxumba, difteria
Encefalite, faringite
Gripe e leucemia...

E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa

Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...

E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...

Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Câimba, lepra, afasia...

O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
Assim...

Não Vou Me Adaptar

Composição: Arnaldo Antunes

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia...

Será que eu falei o que ninguém dizia?
Será que eu escutei o que ninguém ouvia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar, não!
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho...

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar,
Não vou!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia...

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho...

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Eu não vou!
Me adaptar, não vou
Eu não vou!
Não vou me adaptar
Não vou!
Me adaptar!

Hoje o dia pousou na minha cabeça e clareou
Hoje o dia pousou na minha cabeça e clareou
Eu já não tenho mais certeza de nada
De tudo que ontem falei pra você

Gaquejo quando tento falar
Fraquejo quando tento mandar
Sou forte quando bebo cerveja
Me aqueço quando penso em fumar

Não vou me adaptar
Me adaptar não vou, não
Não vou me adaptar, não

Menino Meu

Composição: Arnaldo Antunes / Cézar Mendes / Luiz Brasil

Todo dia que nascer
Será cada vez melhor
Alegria e sofrer vão fazer você mais forte
A cada alvorecer
Quanto mais perto da morte
Mais certo do que ser
Toda noite que se for
Vai trazer um sol mais nítido
Cada dia após mês
Como numa gravidez
Vai fazer você crescer
E há de ser mais feliz
Bem mais feliz
Porque é assim que é
E assim é que vai ser
Porque eu imaginei
Porque assim desejei
Para você
Vai ser cada vez melhor
Porque tem o meu amor
Todo dia até o fim
Sempre cada vez mais simples

Não Há Perdão Para O Chato

Composição: Arnaldo Antunes / Zaba Moreau / Cazuza

Respeito o cara que é padre
Porque não sente tesão
Respeito quem rouba com fome
Quem consegue dizer não

Tem o meu respeito quem pede esmola
Quem ganha a sua mesada
Mas tem de ser mão aberta
Com a rapaziada

Só não há perdão para o chato
Perdão para o chato
Não há perdão
O reino dos céus é do chato
Do chato, do chato
Do otário e do cagão

Respeito quem é radical
Respeito quem ama errado
Respeito o cara careta
E o cara exagerado

Quem não gosta de criança
E quer viver solitário
Quem odeia rock’n roll
Mas gosta de um rebolado

Só não há perdão para o chato
Perdão para o chato
Não há perdão
O reino dos céus é do chato
Do chato, do chato
Do otário e do cagão

Respeito o cara-de-pau
Respeito o mal-humorado
Respeito a quem só reclama
Por ser mal remunerado

Tem o meu respeito quem quebra tudo
Na noite dos desesperados
E também o cara burro
Que sabe ser engraçado

Só não há perdão para o chato
Perdão para o chato
Não há perdão
O reino dos céus é do chato
Do chato, do chato
Do otário e do cagão

Anjo da Guarda

Composição: Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Marisa Monte

Escureceu
O sol baixou
Anjo da guarda
Cantarolou
Nana neném
Nana neném
Cacheadinho
Anjinho

É de manhã
Sob o sol
Cada gota de orvalho
a secar
é suor
é suor de trabalho

O estudante
O trabalhador

Sente em deixar
O cobertor
Pega a marmita
Ronca o motor
Leva a beleza
Pra vida

É de manhã
Sai da cama
Havaiana no pé
Apostila
Na mochila
E na mão um café

Além Alma

Composição: Paulo Leminski e Arnaldo Antunes

meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar
já no peito trago em bronze não tem vaga nem lugar
pra que me serve um negócio que não cessa de bater
mas me parece um relogio que acaba de enlouquecer
pra que que eu quero quem chora se eu estou tão bem assim
e o vazio que vai lá fora, cai macio dentro de mim

A Alma e a Matéria

Composição: Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte

Procuro nas coisas vagas ciência
Eu movo dezenas de músculos para sorrir
Nos poros a contrair, nas pétalas do jasmim
Com a brisa que vem roçar da outra margem do mar

Procuro na paisagem cadência
Os átomos coreografam a grama do chão
Na pele braile pra ler, na superfície de mim
Milímetros de prazer, kilômetros de paixão

Vem pra esse mundo, deus quer nascer
Há algo invisível e encantado entre eu e você
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver

Cultura

Composição: Arnaldo Antunes

O girino é o peixinho do sapo
O silêncio é o começo do papo
O bigode é a antena do gato
O cavalo é pasto do carrapato

O cabrito é o cordeiro da cabra
O pecoço é a barriga da cobra
O leitão é um porquinho mais novo
A galinha é um pouquinho do ovo

O desejo é o começo do corpo
Engordar é a tarefa do porco
A cegonha é a girafa do ganso
O cachorro é um lobo mais manso

O escuro é a metade da zebra
As raízes são as veias da seiva
O camelo é um cavalo sem sede
Tartaruga por dentro é parede

O potrinho é o bezerro da égua
A batalha é o começo da trégua
Papagaio é um dragão miniatura
Bactérias num meio é cultura

Por Que Será

Composição: Toquinho/Vinicius de Moraes/C.Vergueiro

POR QUE SERÁ? QUE EU ANDO TRISTE
POR TE ADORAR, POR QUE SERÁ? QUE A VIDA
INSISTE EM SE MOSTRAR MAIS DISTRAÍDA
DENTRO DE UM BAR POR QUE SERÁ?
POR QUE SERÁ? QUE O NOSSO ASSUNTO
JÁ SE ACABOU, POR QUE SERÁ?
QUE O QUE ERA JUNTO SE SEPAROU
E O QUE ERA MUITO SE DEFINHOU POR QUE
SERÁ? EU TANTAS VEZES ME SENTO À MESA
DE ALGUM LUGAR FALANDO COISAS
SÓ POR FALAR ADIANDO A HORA
DE TE ENCONTRAR É MUITO TRISTE
QUANDO SE SENTE TUDO MORRER, E AINDA EXISTE
O AMOR QUE MENTE PARA ESCONDER,O AMOR

Pequeno Perfil de Um Cidadão Comum

Composição: Belchior/ Toquinho

Era um cidadão comum
Como esses que se vê na rua.
Falava de negócios, ria,
Via show de mulher nua.
Vivia o dia e não o sol,
A noite e não a lua.

Acordava sempre cedo,
Era um passarinho urbano.
Embarcava no metrô,
O nosso metropolitano.
Era um homem de bons modos:
"Com licença", "Foi engano".

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida.
Que caminha para a morte,
Pensando em vencer na vida

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida.
Que tem no fim da tarde
A sensação da missão cumprida.

Acreditava em Deus
E em outras coisas invisíveis.
Dizia sempre "sim"
Aos seus senhores infalíveis.
Pois é, tendo dinheiro,
Não há coisas impossíveis.

Mas o anjo do Senhor,
Do qual nos fala o livro santo,
Desceu do céu pra uma cerveja
Junto dele no seu canto.
E a morte o carregou
Feito um pacote no seu manto.

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida.
Que caminha para a morte,
Pensando em vencer na vida

Era feito aquela gente
Honesta, boa e comovida.
Que tem no fim da tarde
A sensação da missão cumprida.

Caso Sério

Composição: Toquinho

Nosso caso é um caso perdido
Que ofusca a luz da razão.
Confunde os mais entendidos
Nos assuntos do coração.
Desnorteia os astros,
Quebra a bússola dos horóscopos,
Segue indiferente, indestrutivelmente são.

Nosso caso é um caso sério
Porque ele não é sério demais.
É um jogo descuidado
Com cuidados especiais.
Desafia os búzios,
Mandalas e as cartas de tarô.

Tudo o que te dou
É tudo e mais o que Deus quiser.
Me queira como eu sou
Que eu te quero como você é.

O Caderno

Composição: Toquinho / Mutinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...(2x)